Galoneira plana ou cilíndrica, aberta ou fechada: qual escolher para a sua confecção
Plana ou cilíndrica? Aberta ou fechada? Bitola 5,6 ou 6,4 mm? Entenda as diferenças entre os tipos de galoneira e qual faz sentido para a malharia da sua confecção.
Depois da reta e do overloque, a galoneira é a terceira máquina que toda confecção de malha precisa ter. É ela que faz a barra da camiseta, o acabamento da manga, a aplicação de viés no decote e aquele ponto elástico que estica junto com o tecido sem arrebentar. Mas, na hora de comprar, aparecem as dúvidas: plana ou cilíndrica? Aberta ou fechada? Qual bitola? Precisa de corte de linha?
Neste guia, a gente explica cada diferença do jeito que explica no balcão da loja, aqui em BH.
O que a galoneira faz (e o overloque não faz)
O overloque une e chuleia a borda do tecido. A galoneira faz outra coisa: o ponto de cobertura, com duas ou três agulhas costurando em paralelo por cima e um fio laçador por baixo, cobrindo a borda pelo avesso. O resultado é uma costura plana, elástica e com acabamento limpo — por isso a galoneira é a máquina da barra e do acabamento, enquanto o overloque é a máquina do fechamento. Se você ainda tem dúvida sobre os tipos de overloque, vale ler nosso guia sobre overloque de 3, 4 e 5 fios.
Plana ou cilíndrica: depende de quando você faz a barra
Essa é a escolha mais importante, e ela depende da sequência de montagem da sua peça.
Galoneira plana (base plana): a mesa é reta, como a de uma costura reta comum. É a mais versátil e a mais vendida. Funciona muito bem quando a barra é feita com a peça ainda aberta, antes de fechar a lateral — o jeito mais comum na produção de camisetas, regatas e bermudas. Também é a escolha natural para aplicar golas e viés em peças abertas e para costuras decorativas. Exemplos: Jack JK-W4, Jack W5 e Zoje C5000.
Galoneira cilíndrica (base cilíndrica): a base é um braço estreito, onde a peça é “vestida”. Serve para costurar em volta de partes já fechadas — barra de manga depois de fechada, punhos, bocas de calça, cós com elástico, cavas e decotes. Em moda fitness, lingerie, moda praia e roupa infantil, em que muitas peças são montadas fechadas, a cilíndrica costuma render mais. Exemplo: Jack K7.
Regra prática: se você faz a barra com a peça aberta, comece pela plana. Se boa parte das suas barras e aplicações é feita em peça já fechada, a cilíndrica evita costura torta e repuxada.
Aberta ou fechada: a diferença está no trançador superior
A galoneira fechada tem trançador superior: um fio a mais que cobre o ponto também por cima, deixando o acabamento coberto dos dois lados da peça e prendendo melhor viés e golas. A galoneira aberta trabalha sem o trançador superior: por cima aparecem só as linhas paralelas das agulhas, e por baixo o ponto fica coberto. É o acabamento clássico de barra de camiseta.
Na prática, a aberta resolve a maior parte das barras do dia a dia. A fechada é mais versátil: faz barra, mas também ponto decorativo aparente, aplicação de viés com acabamento por cima e as costuras de moda fitness e moda praia que pedem cobertura dos dois lados. Na Jack, a W4 aberta e a W4 fechada são a mesma máquina nas duas versões, o que facilita comparar.
Bitola: 5,6 ou 6,4 mm?
A bitola é a distância entre as agulhas das pontas. As mais comuns na malharia são 5,6 mm e 6,4 mm (1/4”). A de 6,4 mm é a mais usada em barras de camisetas e moletons; a de 5,6 mm dá um acabamento mais estreito e delicado, comum em peças leves, lingerie e moda infantil. Escolha pela aparência que o seu cliente espera na barra — e lembre que mudar a bitola depois exige trocar um conjunto de peças da máquina, então vale decidir na compra. A agulha certa também faz diferença: veja nosso guia de tipos de agulha para máquina industrial.
Dois acessórios que mudam o jogo: catraca e refilador
Catraca (puxador): um rolete atrás do calcador que puxa o tecido de forma constante. Ajuda muito na aplicação de elástico e em malhas que tendem a ondular ou encolher.
Refilador: uma faca lateral que corta o excesso de tecido enquanto costura. Na aplicação de viés, a borda já sai aparada, sem uma operação extra de corte. A Jack K7 com refilador tem esse recurso.
Vale pagar por uma galoneira eletrônica?
As galoneiras convencionais com motor Direct Drive já consomem bem menos energia que as de motor de embreagem — falamos disso no post sobre a economia real do Direct Drive. As eletrônicas vão além: corte de linha automático e, nas mais avançadas, levantamento automático do calcador e ajuste do transporte nas emendas. Em barra de camiseta, o corte automático tira a tesoura da mão da costureira em toda peça; em volume, isso vira horas no fim do mês. Se você produz em escala, a W5 (plana) e a K7 (cilíndrica) são o próximo passo. Se está começando, uma Direct Drive convencional, como a W4 ou a C5000, atende bem.
Resumo rápido
Facção ou confecção começando na malha: galoneira plana aberta, Direct Drive, bitola 6,4 mm.
Precisa de viés, golas e ponto decorativo: galoneira plana fechada.
Fitness, lingerie, praia, infantil e peças montadas fechadas: galoneira cilíndrica, de preferência com catraca.
Produção em escala: versões eletrônicas com corte de linha.
Conclusão
Não existe a melhor galoneira, existe a galoneira certa para a forma como você monta a sua peça. Plana ou cilíndrica depende de quando a barra é feita; aberta ou fechada depende do acabamento que o seu cliente quer ver; e a versão eletrônica se justifica pelo volume. Para montar o trio completo, veja também quais máquinas comprar para começar uma facção.
Se você está em BH ou no interior de Minas, fale com a gente ou chame no WhatsApp (31) 99878-2783. A gente te ajuda a escolher a galoneira pelo tipo de peça que você produz.